Madame SatãMemórias de Madame SatãR$ 39,90
Madame Satã
R$ 39,90Memórias de Madame Satã
Nos levantamentos feitos pela pesquisadora e professora Amara Moira, até o presente momento, a primeira autobiografia trans a ser publicada no Brasil foi Memórias de Madame Satã, em 1972. Nesse livro, lemos episódios da vida de Satã, desde sua infância até seus 70 e poucos anos de idade, tal qual teriam sido relatados ao escritor Sylvan Paezzo.
A história de Satã é permeada pela malandragem africana, da pernada e da capoeira, na Lapa carioca do começo do século XX. Nos entremeios das perseguições policiais racistas e homotransfóbicas, também encontramos receitas culinárias, apresentações teatrais de sucesso, o companheirismo de malandros, bichas e de bonecas (termo que significa “travestis”, no bajubá*) e o caráter cheio de vivacidade que Satã emana, e que não se dobra diante da violência sofrida no contexto colonialista brasileiro.
O nome "João Francisco dos Santos", que aparece na nova edição das Memórias de Madame Satã, não era um nome de registro, pois Satã não tinha papeis de registro civil. Esse nome também não aparece no interior de sua obra, o que revela seu desuso.
No começo do século XX, filhes de pessoas escravizadas não possuíam registro, por ser algo caro, como nos conta Satã em entrevista ao jornal O Pasquim. Por isso, o nome masculino e português, que aparece na nova edição do livro, é fruto de uma violência corrente e naturalizada que ignora as nomeações de Madame Satã e impõe um nome colonialista e racista que lhe foi atribuído ao nascer.
“Fiquei seis dias sendo admirado com respeito pelos malandros e mulheres e bichas da Lapa e vigiado de longe pelos policiais.”
*bajubá ou pajubá: língua formada a partir de ressignificações de outras línguas como o kimbundu, o yoruba e o fon africanos, por exemplo, e o português. É utilizada, principalmente, pela comunidade travesti e também pela comunidade LGBTIA+.
A história de Satã é permeada pela malandragem africana, da pernada e da capoeira, na Lapa carioca do começo do século XX. Nos entremeios das perseguições policiais racistas e homotransfóbicas, também encontramos receitas culinárias, apresentações teatrais de sucesso, o companheirismo de malandros, bichas e de bonecas (termo que significa “travestis”, no bajubá*) e o caráter cheio de vivacidade que Satã emana, e que não se dobra diante da violência sofrida no contexto colonialista brasileiro.
O nome "João Francisco dos Santos", que aparece na nova edição das Memórias de Madame Satã, não era um nome de registro, pois Satã não tinha papeis de registro civil. Esse nome também não aparece no interior de sua obra, o que revela seu desuso.
No começo do século XX, filhes de pessoas escravizadas não possuíam registro, por ser algo caro, como nos conta Satã em entrevista ao jornal O Pasquim. Por isso, o nome masculino e português, que aparece na nova edição do livro, é fruto de uma violência corrente e naturalizada que ignora as nomeações de Madame Satã e impõe um nome colonialista e racista que lhe foi atribuído ao nascer.
“Fiquei seis dias sendo admirado com respeito pelos malandros e mulheres e bichas da Lapa e vigiado de longe pelos policiais.”
*bajubá ou pajubá: língua formada a partir de ressignificações de outras línguas como o kimbundu, o yoruba e o fon africanos, por exemplo, e o português. É utilizada, principalmente, pela comunidade travesti e também pela comunidade LGBTIA+.
