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O Que é Lugar de Fala? 6 Conteúdos para Refletir Sobre o Tema

O Que é Lugar de Fala? 6 Conteúdos para Refletir Sobre o Tema

Talvez você já tenha ouvido isso em alguma conversa casual: “Nem vou falar sobre esse assunto, porque não é meu lugar de fala”. Principalmente se você acompanha as redes sociais com frequência e tem o hábito de ler os comentários...

O debate público atual absorveu a ideia de que possam existir pautas sobre as quais uma pessoa tenha ou não lugar de fala. Porém, fica a pergunta: será que isso é realmente verdade? Eu devo me silenciar diante de alguns assuntos? O que fazer?

Na obra "Lugar de Fala" (resenha a seguir), Djamila Ribeiro revela que há uma grande distorção promovida pelo debate público em confundir o conceito de “lugar de fala” com representatividade e protagonismo. 

O lugar de origem de um discurso é parte essencial para compreensão completa do seu conteúdo, alcance e embasamento, pois cada fala reflete em si história, experiência social e outros elementos identitários. 
  • Djamila Ribeiro
    Lugar de Fala
    R$ 25,40

    Não apenas por ser uma obra revolucionária para o seu tempo e abordar de maneira estruturada um dos tabus atuais, o livro Lugar de Fala, de Djamila Ribeiro, é uma obra sobre os “silêncios” que naturalizamos socialmente. 

    A contribuição lançada pela autora demonstra especificamente a diferença do alcance social de determinadas pautas, quando levamos em consideração o lugar de origem do conteúdo. 

    A reflexão filosófica da obra nos ajuda a entender por que o discurso de uma mulher negra de classe social baixa tem menor alcance e comoção social do que o discurso de um homem branco de classe elevada. Djamila demonstra que a nossa escuta social é seletiva e movida por estruturas de desigualdades que guiam também a comoção pública.

    Entender essa análise nos permite questionar não somente o conteúdo de um discurso, mas também o ponto de vista abordado que, somado ao discurso, amplia as possibilidades de compreensão. 

    Porém, este olhar analítico não visa silenciar nenhuma contribuição. O convite é para o desenvolvimento de um olhar crítico que nos permita a sensibilidade de entender quais são as vozes ouvidas e as vozes silenciadas socialmente.
  • Lázaro Ramos
    Na Minha Pele
    R$ 21,10

    Ler "Na Minha Pele", de Lázaro Ramos, é como começar uma conversa. Sua descrição acolhedora e a linguagem didática cativam a leitura, possibilitando a compreensão de temas complexos sob um olhar de aprendizagem contínua. 

    A obra reflete alguns trechos da vida do ator e diretor do recente filme Medida Provisória. Traz narração simples de suas experiências na ilha onde nasceu, sua passagem pelo bando de teatro Olodum e as influências da obra do bloco afro Ilê-Ayê em sua formação artística. 

    A descrição permite à pessoa leitora experimentar os detalhes de sua infância e família, e identificar as contribuições de suas origens na formação do artista. 

    Permite ainda entender conceitos e questões raciais a partir de um espelho, com uma linguagem que fala sobre pessoas negras e não negras, envolvendo todas as pessoas e ambientes, influenciadores, redes sociais e outras plataformas.
  • Victor Di Marco
    Capacitismo: o Mito da Capacidade
    R$ 27,30

    Entender o seu lugar de fala tem a ver com entender de onde você fala. A sociedade é plural em raças, etnias, sexualidade e corpos. Para entender essa diversidade, recomendo "Capacitismo: o Mito da Capacidade”, de Victor Di Marco.

    O livro nos leva a assimilar conceitos importantes para pensar a inclusão de pessoas com deficiência, refletindo através das memórias do protagonista sobre a dita capacidade. Nele, o autor questiona o desenvolvimento de um sistema que possibilita acessibilidade para alguns corpos, de maneira excludente e, a partir dessa estrutura, “define” capacidade seletiva.

    A obra cativa por contar vivências e nos levar a refletir as nossas próprias experiências cotidianas, não impactadas pela lógica capacitista, produzindo reflexões sobre outras possibilidades de inclusão em todas as esferas de acessibilidade, começando pela mudança na nossa atitude.
  • Daniel Munduruku
    O Caráter Educativo do Movimento Indígena Brasileiro (1970-1990)
    R$ 19,00

    Quando falamos da construção do Brasil enquanto nação, pensando o nosso contexto histórico, inúmeras contribuições indígenas foram dizimadas juntamente com a pluralidade populacional.

    O Caráter Educativo do Movimento Indígena Brasileiro é uma obra que apresenta elementos durante muito tempo invisibilizados na trajetória de resistência e defesa de territórios indígenas no Brasil, por demonstrar um maior protagonismo dessas nações, descrevendo a organização do movimento indígena no período de 1970 a 1990. 

    Sua leitura é fundamental para a desconstrução do estereótipo de passividade de pessoas indígenas frente à dominação colonial. Fica evidente que a história contada por um único discurso hegemônico tende a ocultar elementos fundamentais da narrativa.
  • Dia Estúdio
    DiaCast

    DiaCast é um dos podcasts com maior quantidade de episódios e representatividade na plataforma Spotify. É atraente por apresentar uma perspectiva plural, nos âmbitos profissionais e artísticos, principalmente nos últimos 20 episódios disponíveis. 

    Por ser uma abordagem com maior duração, convido você a fazer o exercício de construir sua narrativa sobre as pautas abordadas, utilizando as suas experiências. Um exercício de empatia e reflexão incrível!

    Se quiser um episódio para começar, indico o número 39, que tem como convidada Ana Paula Xongani. O encontro questiona as demandas da representatividade, descrevendo dores como o apagamento de identidades pessoais em relação às questões sociais constantemente abordadas.
  • Ryan Murphy, Brad Falchuk e Steven Canals
    Pose

    Com três temporadas e um elenco maravilhoso, Pose nos leva a conhecer profundamente a pluralidade da comunidade LGBTQIA+. Situando o tempo da história nos anos 1970, a série tem uma abordagem que ressignifica os conceitos de família, mulheridade, solidariedade, amizade, identidade de gênero e orientação sexual. 

    Aprendemos na série outros modelos de família, através das casas criadas para acolher pessoas da comunidade LGBTQIA+ e também para fortalecer as expressões sociais e artísticas. 

    Além de sensibilizar, o enredo convida ao exercício mais profundo e íntimo de humanidade, para que possamos construir um mundo melhor, onde todas as pessoas sejam felizes e livres plenamente.

    Com esta série você aprenderá que não precisa ser uma pessoa LGBTQIA+ para ter lugar de fala e debater sobre a LGBTfobia. Contrariando as expectativas, é fundamental a contribuição de todas as pessoas para a desconstrução de estruturas de preconceito e discriminação. 

    Provavelmente, não sendo uma pessoa do LGBTIQA+, você não tenha a representatividade naquela pauta, para expor sentimento de impacto direto. Porém isso não te silencia de repudiar situações desse tipo, de debater sobre elas com outras pessoas e de pensar em soluções de combate.

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