Turismo de Base Comunitária: 6 Empresas com Passeios no Brasil

Turismo de Base Comunitária: 6 Empresas com Passeios no Brasil

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Luísa Ferreira
Janelas Abertas
  • Rede Tucum


    Luísa Ferreira

    Formada em 2008 por comunidades da região costeira do Ceará, a Rede Cearense de Turismo Comunitário, conhecida como Rede Tucum, é uma das maiores referências de Turismo de Base Comunitária no Brasil. Ela promove roteiros que respeitam os modos de vida e locais e o meio ambiente, valorizando a diversidade cultural e fortalecendo atividades tradicionais como a pesca artesanal e a agricultura. 

    Através da Rede Tucum é possível conhecer boa parte do litoral cearense a partir do ponto de vista das comunidades tradicionais. Entre os grupos, há assentamentos, comunidades indígenas e remanescentes quilombolas. 

    Passei uma semana entre a aldeia indígena dos Jenipapo-Kanindé, próxima a Aquiraz, e o Quilombo do Cumbe, perto de Aracati, e amei a experiência! Nas duas comunidades, fui tratada como uma amiga, vivenciei o dia a dia local e conheci lugares lindos. Além de me divertir, voltei para casa inspirada pelas histórias de resistência pela cultura e pelo território.
  • Vivejar


    Luísa Ferreira

    A Vivejar é uma operadora de turismo de experiência que promove roteiros em várias comunidades tradicionais brasileiras, prezando pelo empoderamento feminino e pela sustentabilidade econômica, social e ambiental. Uma das prioridades da empresa é o Turismo de Base Comunitária. 

    Alguns exemplos de destinos trabalhados por eles são Vale do Jequitinhonha (Minas Gerais), Morro da Babilônia (Rio de Janeiro/RJ), Alter do Chão (Santarém/PA), Grajaú e Bororé (São Paulo/SP) e Vale do Pati (Chapada Diamantina/Bahia). 

    Recomendo muito a vivência no Vale do Pati, uma travessia repleta de belezas naturais e contato com a cultura local. Não sei o que me emocionou mais por lá: as trilhas incríveis ou os momentos de hospedagem e refeições nas casas de moradores do vale. 

    Os profissionais que atuam na Vivejar têm muita experiência no desenvolvimento de roteiros de turismo responsável e de TBC. Eles criaram também o Instituto Vivejar, organização sem fins lucrativos que oferece cursos, consultorias e materiais educativos sobre o tema. Fiz o curso de Turismo Responsável com eles e aprendi muito!
  • Braziliando


    Luísa Ferreira

    A Braziliando é uma pequena agência que promove experiências de Turismo de Base Comunitária na Amazônia. O objetivo deles é fazer com que os viajantes criem uma conexão com os moradores e gerem impacto positivo por lá. 

    Os roteiros são desenvolvidos conjuntamente com os moradores dessas comunidades, de acordo com suas necessidades, e levando muito a sério a preservação ambiental. 

    Assim, além de contribuir com um projeto com impacto social positivo, o viajante tem a chance de vivenciar a Amazônia de uma forma mais conectada com a realidade local. Enquanto a maioria dos roteiros na região inclui apenas uma parada de algumas horas numa comunidade indígena, nessa viagem você tem a chance de realmente viver esse dia a dia. 

    Passei quatro dias numa comunidade ribeirinha próxima a Manaus: Nova Esperança, na região do Baixo Rio Negro. Fiquei hospedada com uma família local, que preparou refeições deliciosas e me levou para caminhar pela mata, passear de barco, conhecer o processo de fazer farinha de mandioca, aprender artesanato, entre outras atividades. Foi uma experiência inesquecível!
  • Diáspora Black


    Luísa Ferreira

    A Diáspora Black é uma startup de turismo que promove a cultura negra através de city tours, hospedagem e atividades online. Eles servem como um hub de experiências e atrativos culturais oferecidos por diversos anfitriões em várias partes do Brasil, como a BrAfrika, a Rota da Liberdade e o Guia Negro. Nem todos os projetos são baseados no TBC, mas muitos têm como premissa o protagonismo da comunidade. 

    Os passeios incluem, por exemplo, um tour guiado pela Rocinha, no Rio de Janeiro, com o objetivo de expandir as narrativas sobre a favela, tendo à frente um time de pessoas nascidas e criadas lá. Outro exemplo são os roteiros turísticos afrocentrados promovidos pela Rota da Liberdade, em que você pode visitar comunidades negras tradicionais em São Paulo e no Vale do Paraíba. 

    Recomendo muito os passeios em que anfitriões locais contam a história negra de diferentes cidades brasileiras. Um exemplo é a Caminhada Olinda Negra, em Pernambuco, oferecida pela Associação Recreativa e Carnavalesca Afoxé Alafin Oyó em parceria com o projeto Guia Negro. Também vale muito a pena fazer o Tour Pequena África, no Rio de Janeiro.
  • Recria


    Luísa Ferreira

    A Recria (Rede Nacional de Experiências e Turismo Criativo) não é exclusivamente dedicada ao Turismo de Base Comunitária, mas surgiu a partir dele. Essa Rede é uma articulação de empreendedores do turismo criada em 2017 a partir do encontro de duas comunidades no Recife que já promoviam TBC em seus territórios: a Bomba do Hemetério e a Ilha de Deus. 

    Com o tempo, a rede foi se ampliando para incluir outras iniciativas do chamado Turismo Criativo, que promove imersões culturais nos destinos por meio de vivências de cocriação, estimulando o desenvolvimento das pessoas, do ambiente e da cultura local. 

    Através deles, conheci as duas comunidades mencionadas acima. No Maracatu Raízes de Pai Adão (anfitrião da experiência), na comunidade Bomba do Hemetério, o destaque é a vivência “Recife é Sempre Carnaval”. Lá, confeccionei adereços e experimentei tocar instrumentos do maracatu. Uma ótima experiência para ter um gostinho da folia pernambucana o ano todo. 

    Já na comunidade de Ilha de Deus, onde a principal fonte de renda é a cata de marisco, você pode apoiar as empreendedoras locais através dos roteiros turísticos do Instituto Negralinda. Entre outras atividades, os visitantes podem fazer a oficina “Cozinhando com Negralinda”, aula de culinária promovida por uma chef de cozinha da comunidade.
  • Uika


    Luísa Ferreira

    Me apaixonei por Manaus! E em grande parte isso se deve à Uika. Essa empresa de turismo comunitário e de experiência tem roteiros culturais e de contato com a natureza, todos com o objetivo de apresentar a Amazônia aos visitantes sob o olhar de quem nasceu e cresceu ali, com uma perspectiva autêntica e consciente. 

    A Uika desenvolve os roteiros junto com populações tradicionais e empreendedores da economia criativa, das cidades à floresta profunda. Entre outras opções, é possível passar de dois a sete dias numa comunidade ribeirinha no Parque Nacional de Anavailhanas, com pernoite em hospedagem comunitária. 

    E com um só dia também dá para viver experiências incríveis, até sem sair de Manaus: o Perreché Tour, por exemplo, é uma experiência cultural, histórica e gastronômica que passa por 22 lugares no centro histórico da capital. 

    Descobri nesse passeio vários cantinhos dos quais nunca tinha ouvido falar, e os comentários de uma guia local me ajudaram a entender o contexto por trás deles. Uma delícia de experiência - literalmente, graças ao jambu e ao tucupi!