Estilos de Cerveja: 10 dos Principais que Você Precisa Conhecer

Estilos de Cerveja: 10 dos Principais que Você Precisa Conhecer

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Luís Celso Jr.
Bar do Celso
  • BOHEMIAN PILSENER
    Cerveja Tcheca Pilsener Urquell


    Luís Celso Jr.

    O estilo Bohemian Pilsener nasceu em 1842 na cidade de Plzeň, na República Checa, pelas mãos do mestre cervejeiro alemão Josef Groll, como a primeira cerveja clara, dourada e brilhante do mundo. Por séculos a cerveja da Europa foi obrigatoriamente escura, normalmente marrom, por conta da secagem do malte feita a fogo – o que torrava e defumava os grãos.


    Esse estilo foi uma resposta à Pale Ale inglesa, que atingiu cores acobreadas anos antes e fez muito sucesso. Já a Bohemian Pilsener “explodiu a boca do balão”, sendo copiada e influenciando o nascimento de outros estilos dourados pelo mundo.

    A primeira cerveja desse estilo existe até hoje. É a Pilsener Urquell. Com amargor médio, aromas e sabores como cascas de pão, cereais, biscoito, e um tom herbáceo e condimentado, ela agrada desde paladares iniciantes até os experientes.

    As cervejas mainstream, aquelas que compramos nos supermercados, são uma espécie de versão suavizada dessas Pilsens originais.
  • WEIZENBIER
    Paulaner Hefe-Weissbier


    Luís Celso Jr.

    Para muitas pessoas, a cerveja de trigo alemã é o primeiro passo dentro do universo das cervejas artesanais. Isso porque seu gosto menos amargo, por vezes até mais adocicado, junto com os aromas e sabores que remetem à banana e cravo, agrada bastante o paladar de quem começa nesse mundo.

    Elas pertencem ao estilo Weizenbier (weizen significa trigo em alemão) e são conhecidas também como Weissbier (weiss significa branco) em razão da aparência esbranquiçada, turva. São muito consumidas na região de Munique, na Alemanha, principalmente no verão e na primavera, e nos Biergartens.

    A Paulaner é uma das mais tradicionais fabricantes de Weizenbier da região, sendo sua Hefe-Weissbier referência mundial no estilo. Além da aparência, aromas e sabores típicos, ela tem corpo médio, bastante carbonatação e suave acidez, o que a torna bastante refrescante e fácil de beber.

    Harmonize com saladas, frutos do mar e até carne suína. Fica deliciosa com um bolinho de bacalhau.
  • EXTRA SPECIAL BITTER
    Capapreta English Pale Ale


    Luís Celso Jr.

    As Pale Ale inglesas foram muito importantes na história da cerveja. Antes da Pilsen, elas eram as cervejas mais claras – status que alcançaram graças a uma série de inovações do período da Revolução Industrial na tecnologia de malteação.

    Veja, na época, qualquer cerveja mais clara, que usava esse tipo de malte, era chamada genericamente de Pale Ale. As mesmas para as quais damos nomes diferentes hoje, como English Pale Ale, Ordinary Bitter e Special Bitter.

    Na década de 1970 surgiu mais um estilo: o Extra Special Bitter (ESB). Uma versão mais nobre, ainda mais maltada, encorpada, alcoólica e lupulada que as anteriores.

    A English Pale Ale da Cervejaria Capa Preta é uma ESB exemplar, premiada em concursos nacionais e internacionais. De cor cobre, ela surpreende pelo equilíbrio entre dulçor e amargor em intensidade média. Traz notas de caramelo, toffee e tostado no aroma e sabor, acompanhadas por toque de frutas secas, como uvas-passas, herbais e terrosas.
  • PORTER
    Fuller's London Porter


    Luís Celso Jr.

    Outro estilo inglês que marcou época foi o Porter, que surgiu durante a Revolução Industrial e se tornou a cerveja da classe trabalhadora. O nome Porter era usado para não só designar os trabalhadores do porto de Londres, mas também qualquer trabalhador braçal daquela região.

    Ele se transformou muito ao longo do tempo. Começou sendo feito com maltes antigos como uma cerveja marrom e só atingiu cores mais escuras, próximas do preto, na primeira metade do século 19. Ainda hoje existem cervejas que buscam se inspirar nas Porters originais, de cor marrom. São as chamadas Brown Porters.

    A Fuller’s London Porter é desse estilo. Trata-se de uma cerveja de cor marrom escura, com reflexos avermelhados, de tosta e torra altas, que lembra caramelo, chocolate, cacau e café coado. Também é possível sentir suaves notas frutadas, como ameixas secas. Seu amargor e corpo são médios, com suave dulçor.

    Harmonize com chocolate ou sobremesas à base de chocolate meio amargo ou ao leite, como brownie com sorvete de creme ou mesmo um ovo de Páscoa recheado.
  • BELGIAN DUBBEL
    Westmalle Dubbel


    Luís Celso Jr.

    Estilos de abadia são aqueles que costumeiramente foram feitos em mosteiros ao longo do tempo. O Belgian Dubbel é um dos mais tradicionais dessa tradição na Bélgica.

    Uma cerveja de cor marrom, elevado teor alcoólico – ótima para os dias mais frios! –, com aromas e sabores de caramelo, biscoito, castanhas e por vezes um toque de chocolate, complementados por frutado de frutas secas, como uvas e banana-passa.

    Dentre todos os mosteiros que fabricavam essas cervejas na Idade Média, alguns sobreviveram. Os monges Trapistas se tornaram especialmente reconhecidos pelas suas cervejas de altíssima qualidade. A Westmalle Dubbel é uma cerveja trapista, produzida sob supervisão desses monges desde pelo menos 1861, na cidade de Malle, província da Antuérpia, na Bélgica.

    Com 7% de álcool, é uma cerveja fácil de se gostar, agradando também iniciantes, e de um valor histórico e cultural fantástico.
  • BELGIAN TRIPEL
    Tripel Karmeliet


    Luís Celso Jr.

    Belgian Tripel também é um estilo de abadia. Era originalmente produzido com maltes escuros, semelhante ao estilo Dubbel, só que com mais corpo e álcool. Foi apenas em 1934 que foi feito com maltes claros pela primeira vez, dando origem à versão que conhecemos hoje.

    Dourada, tem aromas e sabores complexos, com notas de frutas amarelas, como pêssego e damasco, brancas, como uvas verdes e pera, e até cítricas, como laranja. Há também um suave toque floral dos lúpulos e mel dos maltes. O corpo é elevado, assim como o álcool.

    A Tripel Karmeliet pertence a esse estilo, mas tem características peculiares: é mais leve, menos adocicada, de final seco e mais fácil de beber em volume. Mas preserva a complexidade de aromas, destacando o floral dos lúpulos. Com 8,4% de álcool, ela se baseia numa receita de 1679 que era feita em um monastério de freiras carmelitas na cidade de Dendermonde, em Flanders Oriental, na Bélgica.

    Harmonize com peixes e frutos do mar. Também combina com carnes, como Carbonade Flamande, prato belga de carne de panela cozida na cerveja. Vai por mim!
  • AMERICAN IPA
    Salvador Big Chief


    Luís Celso Jr.

    A cerveja IPA é conhecida hoje por sua versão americana, mas nasceu como estilo inglês. A India Pale Ale era a cerveja exportada para a Índia, entre o final do século 18 e começo do 19, então colônia britânica.

    Baseada na Pale Ale, recebeu mais lúpulo para aguentar a viagem de navio, já que essa matéria-prima é um conservante natural. Mas isso também deu origem a uma cerveja mais amarga que logo caiu no gosto dos ingleses.

    Ao longo do século 20 ela ficou esquecida, sendo resgatada por cervejarias americanas no final da década de 1970. Nesse momento, passou a ser feita com lúpulos locais, que têm aromas e sabores mais frutados, cítricos e resinosos. A versão inglesa existe até hoje, mas é feita com variedades inglesas, com notas mais herbais e terrosas.

    A Salvador Big Chief é um ótimo exemplar do estilo American IPA, com 6,9% de álcool e um aroma explosivo de maracujá, laranja, pêssego e pinho. Na boca, o amargor é alto, mas limpo – sem interferências ruins como aspereza ou adstringência, o que é muito importante aqui. O corpo é médio e o final seco, garantindo o bom amargor e o sabor das frutas.
  • NE IPA
    5 Elementos Backdrop #1


    Luís Celso Jr.

    A IPA também tem muitas variações. A chamada New England IPA (NE IPA) é muito popular hoje em dia. Também conhecida como Juicy, Hazy ou Northeast IPA, foi desenvolvida na cidade de Vermont, região da Nova Inglaterra, nos Estados Unidos. A primeira foi a Heady Topper, da cervejaria The Alchemist, lançada em 2003.

    A diferença entre uma American IPA e uma NE IPA é que a segunda é menos amarga, mas muito mais aromática, trazendo notas profundamente frutadas dos lúpulos. Por usar técnicas de lupulagem tardia, ela ganhou uma aparência turva e teve o corpo aumentado para trazer uma sensação suculenta.

    Dessa forma, além de agradar os já iniciados na cerveja, consegue ser muito mais fácil de beber para iniciantes também. A Backdrop #1 é desse estilo. Feita pela Cervejaria 5 Elementos, de Fortaleza (CE), traz o “combo completo” de uma boa NE IPA: aparência turva, corpo elevado e muito, muito aroma de frutas cítricas e tropicais como maracujá, laranja, melão, manga, abacaxi, pêssego e damasco.
  • CATHARINA SOUR
    Hump e Cathedral M-Sour


    Luís Celso Jr.

    Conhecer os estilos clássicos é super importante, mas é preciso também saber o que está rolando hoje. Há tendências e direcionamentos atuais que influenciam profundamente no que se vê nos bares e lojas de cerveja. Já falamos da NE IPA. Outro estilo muito em voga são as Sours.

    Sours, assim no plural, na verdade faz menção a uma série de estilos tradicionais ou modernos que têm a alta acidez como destaque. Eles utilizam fermentação com bactérias láticas, acéticas e outros microrganismos para chegar nesse resultado, delicioso para alguns, difícil para outros. Se você está acostumado com a acidez de um iogurte natural ou vinagre, provavelmente vai gostar.

    A M-Sour é uma cerveja colaborativa produzida em conjunto pelas cervejarias Hump (Curitiba – PR) e Cathedral (Maringá – PR). Ela é uma Catharina Sour, que é considerado o primeiro estilo brasileiro de cerveja feito com base em uma cerveja ácida de trigo, leve e refrescante, e adicionada de frutas. No caso da M-Sour, ela recebe melão, morango e uma adição de manjericão.
  • BARREL AGED BEER
    Dama Bier Wood Selection #2 – Bière de Garde


    Luís Celso Jr.

    Outra tendência que já está em voga há alguns anos aqui no Brasil é das cervejas maturadas ou envelhecidas em madeira, estilo conhecido como Barrel Aged Beer.

    Esse tipo de técnica aumenta sua complexidade pois, além dos aromas e sabores que ela já teria, aparecem notas de madeira e, se for o caso, da bebida previamente contida nos barris/madeira. Se a cerveja já for complexa, então, fica uma delícia!

    A Dama Bier (Piracicaba – SP) ganhou medalha de ouro no Concurso Brasileiro da Cerveja 2021 com a segunda cerveja da série Wood Selection – dedicada à produção desse tipo de cerveja. 

    A Bière de Garde é baseada no estilo franco-belga de mesmo nome, só que mais intensa, encorpada e alcoólica, maturada em barris de carvalho francês que antes continham vinho de 5 varietais de uvas diferentes: Merlot, Malbec, Chardonnay, Cabernet Franc e Pinot Noir.

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