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Larissa Carvalho
Jornalista fundadora do portal Negrê
Cinema com DNA Nordestino: 10 Produções Feitas por Pessoas do Nordeste

Cinema com DNA Nordestino: 10 Produções Feitas por Pessoas do Nordeste

A produção artística e cultural encabeçada por pessoas dos nove estados da região Nordeste do Brasil é rica e poderosa, mas é também invisibilizada e esquecida. O que não impede a potência do cinema com DNA nordestino de continuar existindo.

É provável que um dos filmes com contexto de Nordeste mais conhecidos seja O Auto da Compadecida (2000), dirigido pelo cineasta pernambucano Guel Arraes. E, após quase 25 anos do primeiro filme, os atores Selton Mello e Matheus Nachtergaele anunciaram um segundo filme.

No entanto, existem outras produções audiovisuais dirigidas e produzidas por pessoas nordestinas. E que vale a pena conhecer. Já que o Nordeste não é uma só cultura e muito menos uma só forma de ver o mundo. Nem de conceber e desenvolver narrativas dentro do cinema. Cada história é única.

Para quem gosta de conhecer uma história diferente da sua realidade, organizei uma curadoria com 10 produções nordestinas. Aproveite para conferir esses trabalhos feitos por pessoas do Nordeste!
  • Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelle
    Bacurau

    Com a união dos gêneros drama e faroeste e lançado em 2019, a obra dos diretores pernambucanos Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles fez história desde aquele ano e faz até os dias de hoje.

    O enredo se passa em um futuro não muito distante da realidade do espectador. Nele, os moradores de um pequeno povoado situado no sertão nordestino e chamado Bacurau realizam o funeral de uma mulher de 94 anos (a mais anciã da região), Dona Carmelita (Lia de Itamaracá). Ela é tida como uma matriarca e guardiã da cultura, do conhecimento e das tradições.

    Quando ocorre a chegada de uma ex-moradora, Teresa (Bárbara Colen), que havia ido embora por questões de estudo, a trama dá a entender que a única parte do território onde existe disponibilidade de água é uma região ocupada por bandidos que não permitem o acesso do recurso pelas pessoas.

    Talvez o filme seja sobre a disputa das pessoas por água ou uma espécie de faroeste protagonizada por criminosos que ali estão querendo o poder.
  • Safira Moreira
    Alágbedé

    Documentário feito em 2021, Alágbedé é dirigido pela cineasta e roteirista baiana Safira Moreira e produzido por Alana Silveira, Tainana Andrade e Maria Garcia.

    A produção narra a relação de José Adário dos Santos (conhecido como o Zé do Diabo, um dos maiores ferreiros do estado da Bahia) – com o candomblé. Ogum Alágbedé é o ferreiro dos orixás e senhor dos caminhos.

    O propósito desse curta-metragem é preservar o patrimônio imaterial das religiões de matriz africana no Brasil, trazendo a história do ofício dos ferreiros de orixá. E o trabalho de Safira Moreira é pautado em narrativas de pessoas negras, através de uma política da memória e sua preservação.
  • Kleber Mendonça Filho
    Aquarius

    Lançado em 2016, o longa-metragem do gênero drama e suspense, dirigido pelo diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, traz a jornada da jornalista aposentada Clara (Sônia Braga), que luta pelo seu apartamento ao esquivar-se dos assédios de uma construtora.

    O objetivo é demolir o edifício chamado Aquarius para construir um novo empreendimento na orla da praia de Boa Viagem, em Recife, Pernambuco.

    O filme é uma oportunidade para discutir sobre a especulação imobiliária e os abusos cometidos contra proprietários que estão ligados emocionalmente à memória e à vivência de uma moradia. Além de fazer o espectador pensar sobre os estigmas da vida e sexualidade de uma mulher que está na fase da terceira idade.
  • Laís Santos Araújo
    Infantaria

    Lançado em 2022, o curta-metragem com DNA alagoano é encabeçado pela diretora e roteirista Laís Santos Araújo e produzido pelo também alagoano Pedro Krull. O curta de ficção Infantaria conta a jornada de Joana, que vê seu aniversário de 10 anos chegando ao passo em que está ansiosa pela sua fase da puberdade.

    Em um cenário cheio de abundância, luxo, vigor e energia, ela espera pela sua primeira menstruação. Ao mesmo tempo em que seu irmão sente a ausência do pai e Verbena esconde o que precisa esconder e busca saídas no contexto da trama.

    Gravada no município Barra de São Miguel, no estado de Alagoas, a produção cinematográfica foi considerada para disputar espaço no Prêmio do Oscar de 2023, e também já foi contemplada por diversas premiações nacionais e internacionais.
  • Halder Gomes
    O Shaolin do Sertão

    Filme de comédia lançado em 2016, O Shaolin do Sertão é ambientado lá na década de 80 e no interior do estado do Ceará. O longa é dirigido pelo diretor de cinema cearense Halder Gomes.

    O protagonista Aluízio Li (Edmilson Filho) é obcecado por filmes de artes marciais e se vê inocente em um mundo lúdico e fantasioso quando um lutador de vale-tudo, que já está aposentado, decide desafiar todos os homens da cidade.

    Esse enredo é construído a partir da ideia de que os lutadores profissionais viam uma crise na profissão e, por isso, decidiram percorrer os interiores do Brasil em busca de pessoas violentas para que pudessem participar de lutas.
  • Glauber Paiva Filho e Halder Gomes
    O Cangaceiro do Futuro

    Lançada no final de dezembro de 2022 na Netflix, a série de televisão O Cangaceiro do Futuro traz uma história de comédia que se passa na cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, e conta com sete episódios. No elenco, há a presença do ator cearense Edmilson Filho. E a direção ficou por conta dos cineastas cearenses, Glauber Paiva Filho e Halder Gomes.

    A narrativa traz a jornada de Virguley (Edmilson Filho), um motoboy cearense que trabalha na cidade de São Paulo. Então, ao participar de uma briga na rua, acaba sofrendo um tapa tão forte, mas tão forte que ele vai parar lá no ano de 1927, em um sertão nordestino.

    Ele foi parar lá no século passado em uma região do Oeste potiguar (no Rio Grande do Norte), onde o grupo do Rei do Cangaço, Virgulino Ferreira da Silva - Lampião (1898-1938) - planejou uma invasão à Mossoró. Só que houve uma expulsão pela polícia e população.
  • Everlane Moraes e Fernanda Vidigal
    O Segredo de Sikán

    O filme de 2021, dirigido pela cineasta baiana Everlane Moraes (que cresceu no estado de Sergipe e trabalha com foco em questões sociais, espirituais e filosóficas da diáspora negra), é uma coprodução entre os estados de Bahia e Minas, contando com Fernanda Vidigal na produção. O gênero de O Segredo de Sikán é de ficção e drama fantástico.

    A trama se passa no município baiano de Cachoeira, no qual a diretora Everlane nasceu. A produção conta a história da personalidade mitológica africana Sikán, morta por homens depois que revelou estar destinada a ser rainha na cidade de Calabar, na Nigéria, um país africano. A obra recebeu reconhecimento a nível nacional e no exterior.
  • Halder Gomes
    Bem-Vinda a Quixeramobim

    Filme lançado em 2022 e dirigido pelo cineasta cearense Halder Gomes, a comédia Bem-vinda a Quixeramobim traz os atores cearenses Edmilson Filho e Max Petterson, compondo o seu elenco.

    Na trama, a influenciadora digital e também herdeira de um empresário milionário, Aimée (Monique Alfradique), é acusada de estar envolvida em um caso de corrupção. O que faz os bens de sua família serem bloqueados pela Receita Federal.

    A alternativa que a milionária encontra é se refugiar na última propriedade familiar que está disponível. Ela, então, vai para uma fazenda em ruínas na cidade de Quixeramobim, localizada no interior do Ceará.
  • Carlos Segundo
    Sideral

    Curta-metragem de ficção científica lançado em 2021 e dirigido pelo cineasta Carlos Segundo, Sideral traz o contexto de quando um primeiro foguete brasileiro será lançado na cidade de Natal, capital do Rio Grande do Norte.

    Ali, próximo à Base Aérea, mora um casal com seus dois filhos. Enquanto ele é mecânico, ela é faxineira, mas sonha com novas possibilidades de vida.

    A obra é histórica ao alcançar o posto de primeiro filme potiguar a concorrer pelo prêmio da Palma de Ouro, no Festival de Cannes. Além disso, já foi rodada também em mais de 110 festivais no Brasil e mundo afora, e ainda conquistou cerca de 66 prêmios.
  • Viviane Ferreira
    Um Dia com Jerusa

    Este é um filme lançado em 2021 e dirigido pela diretora, roteirista e produtora baiana Viviane Ferreira. Do gênero drama, Um Dia com Jerusa é uma adaptação do curta-metragem homônimo e traz a história de Silvia (Débora Marçal), que trabalha com pesquisa de opinião para uma marca de sabão.

    Em um dia que parecia como outro qualquer, ela bate na porta de Jerusa (Léa Garcia) e recebe respostas nada esperadas para as suas perguntas. Então, ela compartilha suas experiências e visão de vida com a pesquisadora. O longa conta com o ator Antônio Pitanga no elenco também.

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