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Fábio Kabral
escritor
Afrofuturismo no Brasil: 5 Profissionais para Conhecer o Movimento (música, literatura, moda e mais)

Afrofuturismo no Brasil: 5 Profissionais para Conhecer o Movimento (música, literatura, moda e mais)

Você sabe o que é Afrofuturismo? O Afrofuturismo é um movimento cultural, filosófico e político que objetiva reposicionar o sujeito negro e a narrativa de matriz africana como centro do imaginário da humanidade.

Considero como narrativa afrofuturista toda arte que possui: 1) protagonistas negros; 2) ficção especulativa; 3) imaginários negros como centro; 4) autoria negra; 5) declarar-se como afrofuturista.

Nos Estados Unidos, onde o movimento nasceu, e no continente africano, berço da humanidade, o Afrofuturismo segue com grande destaque.

No Brasil o movimento afrofuturista ainda engatinha, mas diversos profissionais brasileiros estão trabalhando neste momento para nos mostrar novas possibilidades dentro do imaginário de matriz africana.

Nesta lista eu apresento cinco profissionais brasileiros do Afrofuturismo que considero muito relevantes atualmente e que acrescentam imensamente para a cena afrofuturista brasileira. Confira!
  • Música
    Jonathan Ferr

    O músico, pianista e compositor Jonathan Ferr é carioca do subúrbio de Madureira, e é reconhecido hoje como um dos principais nomes do jazz nacional e internacional. Ferr é um profissional brilhante que junta som, espiritualidade e crítica social para criar canções vibrantes, cativantes e únicas.

    Misturando ritmos como piano, jazz, hip-hop, música eletrônica, R&B e MPB, Ferr criou um estilo de jazz urbano e declaradamente afrofuturista. O músico sempre menciona o quanto o afrofuturismo inspira e define a criação de suas canções.

    Ele bebe bastante na fonte de músicos afro-americanos como Alice Coltrane, John Coltrane e Sun Ra, sendo este último possivelmente sua maior inspiração – afinal, Ra é o pai do afrofuturismo.

    Os três álbuns solo de Jonathan Ferr lançados até o momento são Trilogia do Amor (2019), Cura (2021) e Liberdade (2023).
  • Literatura
    Sandra Menezes

    Sandra Menezes é uma escritora carioca de Vaz Lobo. É formada em Comunicação Social pela FACHA-RJ e pós-graduada em Comunicação pela UCDB-MS.

    A escritora participou de diversas publicações em livros de coletâneas de crônicas e contos desde 2019, em editoras voltadas à negritude.

    O desafio de “fabular o futuro” levou Menezes a abraçar o afrofuturismo – o que resultou na produção de seu primeiro romance, “Céu entre mundos”, finalista e vencedor de premiações literárias. Atualmente, a autora é o nome de maior destaque na literatura afrofuturista brasileira.

    “Céu entre mundos" (Malê, 2021) remete à reflexão sobre o passado apagado pelo memoricídio da ancestralidade africana, através de séculos e planetas. A multiplicidade de tempos, espaços e ações estrutura um enredo em que desponta o planeta Wangari como alternativa ao ambiente de uma Terra devastada.

    Narrado em primeira pessoa, já de início acompanhamos a heroína em fuga numa nave espacial rumo à Terra.
  • Pesquisadora
    Kênia Freitas

    Kênia Freitas é uma pesquisadora, crítica e curadora em cinema, autora de artigos e capítulos sobre cinema brasileiro, cinema da diáspora africana, comunicação e identidade.

    Freitas tem graduação em Comunicação Social (UFES) e posterior mestrado (Unicamp) com a dissertação "Versos-livres: a estética do cotidiano no documentário feito com celular", (2010).

    Obteve doutorado na Escola de Comunicação (UFRJ) com a tese "A Ressonância das Imagens: a emergência da multidão no Egito, na Espanha e no Brasil" (2015), e realizou estágios de pós-doutorado na UCB e na UNESP.

    Kênia Freitas é o maior nome no ensino e na pesquisa do Afrofuturismo no Brasil. É ela a responsável pela “Mostra Afrofuturismo” (2015) que ocorreu no Cine Belas Artes -SP.

    Em seus trabalhos sobre o cinema negro, a pesquisadora encampa a discussão brasileira sobre a perspectiva do afropessimismo, isto é, do retrato cinematográfico moderno sobre a reconexão entre o racismo estrutural presente e o passado de escravidão.
  • Ilustração
    Rodrigo Cândido

    Rodrigo Cândido é um ilustrador e designer, cujas obras remetem sempre ao Afrofuturismo. Ele trabalha profissionalmente com ilustração desde 2013.

    Entre seus primeiros trabalhos de destaque, figuram as capas dos livros afrofuturistas “O Caçador Cibernético da Rua 13” (2017) e “A Cientista Guerreira do Facão Furioso” (2019).

    Cândido passou então a se destacar como um dos principais ilustradores da Editora Kitembo, e várias capas dos livros dessa editora levam a sua assinatura.

    Ainda no trabalho de ilustração, Cândido participa de várias oficinas, palestras e entrevistas para TV na qual ele conversa sobre suas obras e suas inspirações no Afrofuturismo.
  • Moda
    Scarllet Alves

    Scarllet Alves é uma jovem empresária da Zona Leste de São Paulo, que vem se destacando recentemente na Moda de inspiração afrofuturista.

    Em setembro de 2020, Scarllet concebeu a Akifra, uma marca de moda voltada para negros que prima pelo resgate da autoestima e pelo amor entre pessoas pretas. Seu trabalho vem movimentando cada vez mais pessoas, fazendo circular a sua mensagem e seus ideais afrocentrados.

    Seus looks únicos, chamativos e brilhantes, e seus trabalhos com moda e costura, são fortemente inspirados no afrofuturismo, sempre estimando pelo protagonismo negro e pela ancestralidade de matriz africana.

    Seu grande sonho é ver nascer um império afrocentrado, onde pessoas pretas possam se reconhecer e prosperar entre si. Se depender do seu empenho e esforço, Scarllet tornará seus sonhos realidade.