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Janine Schmitz
Blog Caule eco.lógicos
Cosméticos Naturais: 10 Dicas de Conteúdos para Iniciar a Mudança

Cosméticos Naturais: 10 Dicas de Conteúdos para Iniciar a Mudança

Antes de começar, que tal anotar aí os produtos e marcas de cosméticos que tu admira e deseja, inclusive as veganas? Porque depois de ver só uma parte deste material que eu vou te apresentar, tua visão vai mudar muito, tanto que tu nem vai lembrar da visão que tinha!


Até teu olfato, depois de três meses sem usar fragrâncias sintéticas, vai mudar. No terceiro mês, tu não aguentará o cheiro do perfume que hoje tu adora. 

Está sentindo o desafio? Aceita mergulhar em águas nunca antes navegadas por ti? É isso aí mesmo, tipo a pílula vermelha do Matrix...

Então vem comigo que vou te falar de 10 conteúdos (documentários, livros, artigos e filmes) para abrir a cabeça e entender por que preferir cosméticos naturais! 
  • THE STORY OF STUFF PROJECT
    The Story of Cosmetics

    A primeira dica é do mais curto, básico e bem feito conteúdo sobre o assunto que eu conheço: A história dos cosméticos”. Um mini documentário online de 2007 feito pela ativista Annie Leonard, do Projeto A História das Coisas (The Story of Stuff Project). 

    O projeto começou fazendo uma série desses mini-docs, explicando de onde vêm as coisas e para onde elas vão. Hoje ele tem uma atuação mundial, como pode ser visto no site oficial (botão acima). O conteúdo é em inglês, mas é possível traduzi-lo automaticamente para o português com a ferramenta do Google.

    A história dos cosméticos dá um panorama geral da situação dos cosméticos evidenciando a questão de que, se entram ingredientes tóxicos na fabricação desses itens de uso diário, da mesma forma, eles liberaram tóxicos: toxic in = toxic out, ou, em bom português, tóxicos entram = tóxicos saem. 

    O documentário apresenta de forma lúdica e sucinta o papel das empresas, dos governos e o nosso, como consumidores, nas questões da poluição e intoxicação pelos produtos de higiene e beleza, enfim, pelos cosméticos, em geral. 

    Mas o conteúdo vai além das críticas e apresenta também soluções das mais simples, como escolhermos produtos mais saudáveis e sustentáveis, até as mais complexas, que exigem atuação coletiva e política. 

    Se não tem tempo pra te informar sobre escolhas para a tua saúde, saúde coletiva e sustentabilidade, só assiste esse, talvez mais de uma vez. Eu já assisti dezenas de vezes e sempre aprendo coisas e faço diferentes conexões.
  • PENELOPE JAGESSAR CHAFFER
    O Bebê Intoxicado?

    Esse é um “Ted-Talk Women” sobre o mesmo assunto, mas com o foco na intoxicação dos bebês. Ele é conduzido por uma ativista e um pesquisador. Ela, uma mulher que estava grávida e seu bebê apresentou defeitos congênitos por exposição ao estrogênio artificial e, por isso, morreu em seguida. 

    Já o pesquisador Tyrone Hayes é um especialista em sapos e que pode dizer muito sobre toxicidade em bebês, justamente porque sapos e bebês, entre todos os animais, são seres que vivem muito tempo imersos e são mais sensíveis. 

    Tyrone Hayes fala sobre a atrazina, que é o produto mais amplamente vendido pela maior empresa química do mundo e o maior contaminante das águas do mundo também. A atrazina foi proibida em 2003 na Europa. 

    Quando sapos são expostos a quantidades muito baixas de atrazina (0,1 partes por bilhão), consequências como o sapo ter três testículos e três ovários podem ocorrer. Como a quantidade desse tipo de ingrediente se acumula ano a ano, é cada vez mais provável que bebês tenham seu sistema endócrino afetado, especialmente em áreas em que a poluição é maior, como cidades grandes e/ou com uso intensivo de agrotóxicos. 

    Convivemos, hoje, com cerca de 30 mil a 50 mil ingredientes químicos sintéticos com os quais nossos avós não tinham contato. Esses ingredientes têm impactos como, por exemplo, o aumento de até 600% nos casos de autismo nos Estados Unidos, desordens do espectro autista e deficiências de aprendizagem.

    Essa palestra é em inglês, mas tem legendas em português. Basta ativá-las.
  • JON WHELAN
    Stink!

    "Stink", ou “Fedor”, em uma tradução literal para o português, conta a história de um pai viúvo, Jon Whelan – o diretor do documentário –, que perdeu a esposa por câncer e ficou com as duas filhas pequenas. 

    Ao receber pijamas extremamente perfumados que comprou pela internet, ele começa a questionar e a indagar empresas e políticos da área sobre os ingredientes químicos que usam e como eles estão afetando a nossa saúde. Especialmente as fragrâncias. 

    Um pai solo contra a indústria química, uma indústria de mais de um trilhão de dólares. Essa é a história dele, mas pode ser a tua. E olha que ele nem começou a indagar sobre o material dos pijamas...

    Uma investigação do tipo das que o Michael Moore faz, divertidas e instigantes. Aliás, assista a todos os documentários do Michael Moore, são maravilhosos! 

    O nome não poderia ser mais apropriado. Lembra do que falei ali em cima, sobre a nossa percepção olfativa? Os cheiros que eu gostava antes, agora eu não suporto! Perfume francês para mim é insuportável de ruim... Sinto na hora a garganta arranhando; um banquete para alergias. 

    O filme está no Vimeo por 3,99 dólares. Por que não convida algumas pessoas para assistir e racha o valor?  
  • EDUARDO ARAIA
    O Mundo Cada Vez Mais Feminino

    Esta matéria de 2009 da Revista Planeta me marcou muito! Ela fala de como os ingredientes químicos sintéticos, por imitarem os hormônios femininos, afetam todos os animais vertebrados, com inúmeros exemplos no mundo todo. 

    Esses ingredientes estão feminilizando de alguma forma diversos animais. Isso acontece principalmente com animais aquáticos menores – que são os mais afetados, por estarem imersos na água que vem do esgoto. Eles absorvem os químicos pela pele e pelas guelras. Essa contaminação pode afetar toda a cadeia alimentar aquática, chegando até grandes mamíferos, como as baleias. 

    A matéria denuncia como estamos criando rios, lagos e mares de estrogênio. Embora sejamos diretamente menos atingidos – em comparação com os animais aquáticos –, esses ingredientes são cumulativos e acabam chegando a nós, seja porque nos alimentamos também desses animais, seja pela concentração deles na água que usamos e consumimos ao longo dos anos. 

    A concentração desses ingredientes tóxicos, justamente, vai aumentando porque são sintéticos e, portanto, não são biodegradáveis. O acúmulo deles no corpo (humano e de animais) e nas águas cresce ano a ano. 

    O alarme maior é para a extinção das espécies, pela inviabilização da procriação. No meio do caminho há uma infinidade de doenças e situações mais brandas, como aves que são estimuladas por esses hormônios e começam a produzir ovas fora dos períodos normais de reprodução. Há ainda aumento dos casos de hermafroditismo, infertilidade e menor taxa de nascimento de indivíduos machos em diversas espécies. 

    Leia a matéria com atenção e lembre que demora muito mais tempo para identificar um ingrediente como tóxico/poluente do que para criá-lo. E é muito mais fácil ter uma empresa disposta a produzir para lucrar do que um cientista com verba para pesquisar os efeitos nefastos dos ingredientes criados e produzidos à toque de caixa. 

    Por isso, evite todos os ingredientes químicos sintéticos que puder, especialmente nos produtos de uso regular, como os produtos de higiene, beleza e os cosméticos em geral. Prefira cosméticos naturais.
  • CORREIO BRAZILIENSE
    Matéria Sobre Interferentes Endócrinos na Água

    A indicação aqui é de uma matéria publicada em 2010 no Correio Braziliense, com o título "Pesquisadores se mostram preocupados com o excesso dos chamados interferentes endócrinos na água". 

    Nesta matéria o foco é a feminilização dos machos, mas também a masculinização das fêmeas. Isso porque, ao imitar o hormônio feminino, certos ingredientes sintéticos além de hormonizarem um macho com falso estrogênio, também podem inibir a produção de estrogênio natural nas fêmeas, pois o corpo entende que já tem hormônio suficiente.

    Como esse estrogênio é falso e não cumpre com as devidas funções, a fêmea vai ficando sem estrogênio e, portanto, vai sofrendo o processo de masculinização. Esse é um problema em escala global de saúde humana, animal e ambiental do qual pouco se fala e menos ainda se tem feito para resolver. 

    Acredito que é preciso atuar mesmo na causa, proibindo que as empresas continuem a produzir com esses ingredientes sintéticos. Não é fácil, porque os ingredientes sintéticos são infinitamente mais baratos do que os naturais e nenhuma empresa, ainda mais as que os produzem, estão dispostas a perder lucro. Ainda que o custo seja tão alto e irreversível.

    A nós cabe, além de passar essas informações adiante, preferir alternativas naturais e lutar por uma legislação melhor... De onde tiraremos tempo e energia? Não sei, mas me parece a única passagem para o futuro. Ou então nosso futuro será bem mais triste, doente e curto do que poderia ser.
  • RACHEL CARSON
    Primavera Silenciosa
    R$ 69,54

    Primavera Silenciosa (Silent Spring) é um título muito sútil e ao mesmo tempo impactante. Eu demorei pra me dar conta sobre o impacto que é pensar numa primavera sem a algazarra dos pássaros, grilos, sapos, abelhas e cigarras. Um lugar de monocultura onde se usa agrotóxicos é assim...

    Escrevendo isso eu lembro de uma vez, numa cidade rural do Rio Grande do Sul, em que minha amiga e eu falamos do silêncio ensurdecedor daquele lugar. Com a consciência que tenho hoje, lembro daquele lugar como sendo moribundo, de muito pasto e quase sem árvores. É sobre esse impacto negativo dos agrotóxicos que Rachel Carson, a bióloga pioneira no assunto, fala neste livro. 

    Muitos desses conteúdos que estou indicando falam de ingredientes que nem estão descritos nos rótulos dos produtos. Seja porque compõe outro ingrediente ou porque são agrotóxicos, por exemplo, e o agrotóxico usado para produzir nossa comida não vem especificado em rótulo nenhum. 

    Por isso, prefira alimentos orgânicos, de pessoas e empresas que conhece e confia. Evite ao máximo todo e qualquer ingrediente artificial ou sintético porque leva anos para serem comprovados como tóxicos e poluentes. 

    Lembre-se que os ingredientes artificiais, os sintéticos e os agrotóxicos são ingredientes alienígenas, que não dialogam com o nosso corpo e nem com o resto da natureza. Portanto, serão acumulados ou mal interpretados.
  • THEO COLBORN, DIANNE DUMANOSKI E JOHN PETERSON MYERS
    O Futuro Roubado
    R$ 139,00

    O Futuro Roubado (Our Stolen Future) é o livro que marca o início da pesquisa sobre o impacto dos ingredientes químicos sintéticos como disruptores endócrinos na saúde do ambiente e na saúde dos que nele vivem: os animais, incluindo nós, humanos. 

    A visão é mais abrangente, não fala especificamente de cosméticos, mas fala dos ingredientes sintéticos como um todo, ou seja, de agrotóxicos, pesticidas e plásticos. Mas saiba que a indústria química que os produz é uma só: de agrotóxicos a ingredientes sintéticos para produtos de higiene (inclusive infantis), tintas de cabelo, esmaltes, entre outros.

    Eu não deixaria uma criança nas mãos de alguém que produz agrotóxicos. Aliás, não deixaria ninguém, inclusive estou tentando te tirar das garras deles. 

    Aqui você confere mais informações sobre o livro que, por ser antigo, talvez só seja encontrado em sebos.
  • THEO COLBORN
    Neurodesenvolvimento e Disrupção Endócrina

    Para quem quer ir mais a fundo e chegar aos artigos científicos, aqui trago uma dica de artigo publicado por uma das pesquisadoras que escreveu o livro que indiquei acima, O Futuro Roubado, e que liderou a pesquisa sobre os disruptores endócrinos: Theo Colborn. 

    Neste artigo, a autora explora a possibilidade de que, em países desenvolvidos, os contaminantes contribuam para o aumento de casos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, autismo e problemas de neurodesenvolvimento, além de outros problemas comportamentais associados. 

    Theo Colborn discute sobre a interferência/distúrbios na tireoide do embrião e do feto e apresenta evidências. 

    Como pode nunca ser possível vincular a exposição pré-natal a um produto químico específico com danos no desenvolvimento neurológico em humanos, ela também apresenta modelos alternativos onde foram feitas associações entre exposição a produtos químicos específicos (ou classes químicas) e a interferência no desenvolvimento em animais de laboratório, selvagens e humanos. 

    O artigo foi publicado originalmente no jornal acadêmico Environmental Health Perspective. A língua de publicação é o inglês, mas o artigo pode ser traduzido automaticamente usando-se o Google Tradutor.
  • HAIFAA AL-MANSOUR
    Felicidade Por Um Fio

    Para concluir com um dos maiores prazeres da minha vida, o cinema, um exemplar da sétima arte para refletirmos sobre o racismo na estética vigente. Felicidade Por um Fio, da primeira cineasta mulher da Arábia Saudita, Haifaa Al-Mansour, é baseado no livro homônimo da escritora Trisha Thomas e estrelado por Sanaa Lathan. 

    O filme conta a história de uma mulher negra (e de muitas mulheres afrodescendentes) que sofre para ter seu cabelo aceito em uma sociedade cujo padrão de beleza – e até de asseio – aceita apenas o cabelo liso. 

    Este filme é um bálsamo para corações crespos e cacheados e, mesmo para quem tem cabelo liso, como eu. Depois de assistir este filme, percebi que eu era totalmente ignorante sobre os desafios sofridos por alguém que nasce com uma textura de cabelo diferente do padrão.

    Quero ressaltar aqui que a transição capilar tratada no filme é também uma questão de saúde e sustentabilidade. Para mim essa relação é óbvia, mas me dou conta agora de como nunca vi essa relação apresentada em outro lugar. 

    Quando uma mulher decide sustentar seu cabelo natural deixando a química dos alisamentos (atualmente renomeados como escovas progressivas), ela está preservando e muito a sua saúde, a saúde coletiva, a dos animais e a do ambiente. 

    Entre os cosméticos, os alisamentos e as chamadas progressivas são os que têm mais ingredientes tóxicos. Além de intoxicar quem usa, intoxicam os profissionais que passam o dia trabalhando com isso, geralmente em ambientes fechados, por anos a fio.
  • MARTI NOXON
    O Mínimo Para Viver

    Mais um filme para refletir sobre como esse padrão de beleza atual nos adoece. O Mínimo Para Viver (To The Bone) tem o ator principal de Matrix, Keanu Rivers, no papel de médico. Olha que sincrônico, voltamos à pílula vermelha e azul, pra tu lembrar de que precisa sair dessa Matrix dos cosméticos convencionais e voltar pra nossa mãe natureza. Estamos te esperando!

    Esse filme conta a história de uma jovem (Lily Collins) que está enfrentando um problema que é bem conhecido meu, a anorexia. (Na minha adolescência, uma amiga teve anorexia e eu tive compulsão alimentar e bulimia). A história mostra o tratamento alternativo pelo qual a personagem passa, numa casa dividida por vários jovens com questões parecidas. 

    É muito triste que na fase em que, teoricamente, teríamos mais beleza e saúde, perdemos tempo e saúde nos achando inapropriadas ou inapropriados, porque muitos homens jovens também já estão sendo aprisionados por esses padrões e, portanto, estão mais suscetíveis aos apelos da indústria da beleza convencional. 

    Um filme para ficarmos bem cientes de onde esses padrões doentios podem levar muitas pessoas em diferentes graus.